Areeiro expiatório

A expressão "bode expiatório" foi alterada para "areeiro expiatório".
Não, não é uma alteração gramatical, descansem! É sim mais um desenvolvimento do caso da queda da ponte de Entre-os-Rios, mais um best seller dos casos de resolução pendente em Portugal e mais um exemplo à "tuga" de empurra culpas.
O acidente ocorreu já à quase 2 anos e meio e a procissão ainda vai no adro, pois ainda estão a ser angariados arguidos num processo cujo fim ainda é uma ténue luz ao fundo do tunel.
Dos iniciais 6 arguidos, técnidos do IPE (ex-JAE) e de uma empresa de estudos com vista ao alargamento da ponte, passamos para 28 arguidos. Da diferença, saltam 22 empresários de extracção de areias, fixados com termo de residencia e identidade.
Segundo os arguidos, a lei estava a ser cumprida e devidamente fiscalizada pelo Instituto de Navegabilidade do Douro. A questão que fica é a do costume: porque nada é feito, mesmo com os avisos afixados? Já era do conhecimento de muitos o facto que os areeiros escavavam demasiado perto da ponte e que a mesma estava em estado de degradação evidente...
Embora o "peso pesado" da advocacia, João Nabais, invoque que os seus clientes pretendem ver os areeiros julgados com base no artigo 262 do Código Processo Penal, relativo a crimes que provoquem desmoronamentos agravados pelos resultados, já veio a publico a declaração do advogado de defesa que acredita que os seus clientes não chegarão a ser julgados.
Como é possivel que um processo desta natureza, constituido a partir de um acidente trágico, ainda esteja a ser alvo de escolha de arguidos?
Quantos mais serão alvo de medida de coacção até que a justiça seja feita?
Mal foi de quem se afundou no Rio Douro naquela noite e dos que ficaram desamparados, sem os seus familiares.

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