Testemunhas

Aínda em relação ao processo Paulo Pedroso gostava de salientar alguns pormenores do acórdão.
Segundo o acórdão, citado pelo Público, os jovens e adolescentes ou falaram do que ouviram dizer; ou confundiram datas e revelaram dificuldades no reconhecimento fotográfico do arguido; ou apresentaram, simplesmente, versões diferentes nos vários depoimentos que prestaram às autoridades. O relator refere mesmo, relativamente à quinta testemunha que esta contou histórias «inverosímeis» sobre o deputado socialista e outras figuras públicas, entre elas políticos.
Testemunha a testemunha, os argumentos são desmontados pelos juízes: «Não se pode deixar de considerar que tais depoimentos [da primeira testemunha], no que respeita a este arguido, não têm qualquer valor», lê-se no acórdão. E explica-se: «Em primeiro lugar porque se trata de depoimentos indirectos não corroborados pela pessoa que indicou como fonte de informação. Depois porque, pelo seu próprio conteúdo, parecem não ter consistência. Também por isso, não pode ser tomada em consideração a "abonação" que a dra. Catalina Pestana faz do depoimento dessa testemunha e das dúvidas que as conversas com ela lhe provocaram quanto à inocência do arguido».
A segunda testemunha contradiz-se entre o primeiro e o segundo depoimento, sem que a investigação lhe tenha apontado essa contradição. E critica o reconhecimento por fotografia: «Não estranhou [a investigação] que, constando desse álbum de fotografias duas fotos deste arguido, sendo a outra muito maior e bem mais nítida, essa não tenha sido reconhecida».
Na opinião dos juízes, citados pelo Público, a terceira testemunha fala de Paulo Pedroso «inopinadamente, num segundo depoimento, sem qualquer localização temporal e depois de declarações idênticas prestadas por seus conhecidos». Conclusão, em termos indiciários: depoimento «muito frágil».
O depoimento da quarta testemunha é avaliado na perspectiva da validade dos reconhecimentos fotográficos. De acordo com os juízes esta diligência de investigação, apesar de válida, deve ser subsidiária por apresentar «resultados ainda mais duvidosos». E depois enumeram os aspectos que levam o colectivo a considerar os reconhecimentos «enfraquecidos», sublinhando o facto de Paulo Pedroso ter sido sempre reconhecido pela fotografia menos nítida e mais pequena, apesar de haver outra mais clara e maior.
Por fim, os depoimentos da quinta e sexta testemunha são desconsiderados: um pela «sua inverosimilhança, quanto ao arguido e a outras figuras públicas» e «que não merece outra qualquer referência»; o depoimento da última testemunha suscita as «maiores reservas» dos juízes que, acrescentam, estranham ser conservado em memória deste facto.
Agora quero ver o que comentam aqueles que consideram o Rui Teixeira o supra sumo!!!

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